Eu tenho 23 anos e às vezes ainda espero que alguém apareça para me explicar como é que se faz isso de ser adulta. Não sei exatamente em que momento eu deveria ter aprendido. Quando eu era mais nova, achava que nessa idade já estaria tudo muito mais definido: eu teria terminado a faculdade, saberia exatamente o que queria fazer, teria minha vida profissional encaminhada e provavelmente saberia tomar decisões sem precisar pensar quinze vezes antes. A realidade é um pouco diferente. Estou no último período de Direito, estudando para a OAB, tentando tirar um TCC do papel, planejando meu casamento e descobrindo, quase diariamente, que existem muito mais coisas para resolver do que eu imaginava.
O mais engraçado é que eu não me sinto tão diferente daquela menina que entrou na faculdade. Claro que muita coisa mudou. Eu aprendi, conheci pessoas, passei por experiências que me fizeram mudar de ideia sobre algumas coisas e descobri áreas do Direito que nem imaginava que poderiam me interessar. Mas, por dentro, ainda existe aquela sensação de estar descobrindo tudo pela primeira vez. Só que agora as decisões parecem maiores. Antes eu me preocupava com prova, trabalho e presença. Hoje eu me pego pensando em carreira, dinheiro, casamento, futuro, documentos, prazos e em todas aquelas coisas que pareciam ser problema de gente muito mais velha quando eu era adolescente.
Talvez essa seja uma das maiores pegadinhas de crescer: ninguém fica tão adulto quanto a gente imaginava. Você continua tendo dúvidas, continua fazendo planos e mudando de ideia no meio deles. Só que agora não dá mais para esperar alguém dizer qual é o próximo passo. Em algum momento você percebe que é você quem precisa decidir. E eu confesso que ainda estou aprendendo a lidar com isso. Tem dias em que eu sinto que estou dando conta de tudo e outros em que olho para a quantidade de coisas que preciso fazer e penso que seria ótimo poder simplesmente voltar para uma época em que o maior problema da semana era uma prova na sexta-feira.
Também acho curioso como a gente passa tanto tempo querendo chegar às próximas fases. Eu queria entrar na faculdade, depois queria chegar ao último período, depois queria me formar, começar minha vida profissional, casar, organizar minha casa... Sempre tem alguma coisa depois. Só que agora algumas dessas coisas que pareciam tão distantes estão realmente acontecendo. O último período chegou. A OAB deixou de ser aquele assunto que eu poderia pensar depois e virou uma prova para a qual eu preciso estudar agora. O casamento deixou de ser uma ideia bonita para o futuro e virou orçamento, escolhas, fornecedores, convites e uma lista de coisas que parece aumentar cada vez que eu risco alguma delas.
E talvez eu esteja começando a entender que ser adulta é um pouco isso: fazer as coisas mesmo sem ter certeza absoluta de que está fazendo do jeito certo. É aprender a resolver um problema enquanto ele acontece, pesquisar quando não sabe, pedir ajuda quando precisa e aceitar que algumas decisões só vão fazer sentido depois que forem tomadas. Não existe uma versão de mim aos 23 anos que acordou sabendo exatamente como conduzir a própria vida. Essa pessoa simplesmente não existe.
Por muito tempo eu achei que precisava ter tudo planejado para me sentir tranquila. Hoje eu já percebo que provavelmente nunca vou ter. Sempre vai existir alguma coisa para resolver, algum plano mudando, alguma dúvida aparecendo no caminho. E, sinceramente, talvez isso não seja tão ruim. Eu ainda posso estar descobrindo o que quero, mesmo depois de tantos anos estudando Direito. Posso mudar de ideia sobre uma carreira. Posso começar coisas novas. Posso escrever de novo depois de anos sem escrever. Posso olhar para uma versão antiga de mim e perceber que ela mudou bastante, sem precisar achar que aquela pessoa estava errada.
Inclusive, talvez seja justamente por isso que eu voltei a escrever. Eu já tive outros blogs, em outras fases da minha vida, e durante muito tempo achei que tinha simplesmente passado dessa fase. Mas percebi que ainda gosto de registrar as coisas. Não necessariamente as grandes coisas, mas essas pequenas partes da vida que normalmente passam despercebidas: uma ideia que ficou na cabeça, alguma coisa que aconteceu durante a semana, uma lembrança, uma descoberta, uma fase que eu sei que daqui a alguns anos vou querer lembrar como era.
Então acho que é isso. Não tenho um manual de instruções e, depois de pensar bastante, talvez ninguém tenha. A gente só vai fazendo. Às vezes com segurança, às vezes completamente no improviso. Eu estou fazendo o meu melhor com os 23 anos que tenho, com uma faculdade quase acabando, uma prova da OAB pela frente, um casamento para organizar e um monte de planos que ainda nem sei se vão continuar sendo os mesmos daqui a alguns anos.
Im not near being 23 but I know this feeling, everyone seems so prepared, I'm glad to know I'm not the only one!
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